Polaroid é uma intervenção no espaço da estação de metro do Bolhão constituída por 120 fotografias polaroid dispostas numa estrutura em mosaico. Cada imagem desta estrutura é um retrato do indivíduo anónimo – só ou acompanhado por apenas mais uma pessoa – que num dado momento se encontrava de passagem por aquela estação.O registo fotográfico constitui-se aqui como traço de uma passagem, como testemunho de uma presença. Esse registo vai no sentido da individualização de cada sujeito que, desta forma, é resgatado do anonimato característico de um típico não-lugar contemporâneo, definido ao nível de um colectivo não-relacional em constante renovação e permutabilidade. O carácter instantâneo do formato polaroid refere-se, por um lado, a essa ideia de captação, no momento, de algo transitório e, por outro lado, ao dar a ver, de forma imediata, a imagem do retratado, leva o indivíduo a confrontar-se consigo próprio, com a imagem que ele e os outros têm de si.Esta dupla dimensão é enfatizada pelo facto de o indivíduo ser convidado a escrever, na própria imagem, um pequena texto ou frase referente ao seu quotidiano ou a um determinado estado de espírito que o defina naquele momento.Perante esta obra, o espectador- maioritariamente as pessoas que diariamente frequentam este espaço- tenderá a estabelecer pontos relacionais (numa estrutura em mosaico, infinitamente permutacional), que poderão ser de proximidade ou distanciamento, mas que, em qualquer dos casos, constituirá uma experiência que o levará a considerar o outro, com quem se cruza diariamente, como individualidade tão subjectiva e anónima quanto ele.








